Confesso que são poucas as vezes em que uma contratação me faz parar e pensar no impacto histórico que ela pode ter. A chegada de Lucas Paquetá ao Flamengo é uma delas. Não é exagero dizer que estamos falando de uma das maiores contratações da história do futebol brasileiro, talvez atrás apenas da vinda de Romário, também pelo próprio Flamengo, num contexto diferente, mas igualmente simbólico.
Paquetá não regressa ao Brasil em fim de carreira, nem como aposta emocional. Volta no auge da idade, com rodagem pesada no futebol europeu, experiência de seleção e maturidade competitiva. É um jogador formado no clube, mas lapidado nos maiores palcos do mundo. Isso, por si só, já coloca esta negociação num patamar completamente fora da curva.
É claro que existe um contexto que não pode ser ignorado. Paquetá vem de uma fase turbulenta, marcada por problemas jurídicos que impactaram diretamente a sua sequência e o seu valor de mercado. Mas é justamente aí que o Flamengo mostra força institucional. Poucos clubes no mundo, não apenas no Brasil, teriam estrutura financeira, respaldo político e ambiente esportivo para absorver um jogador desse tamanho num momento delicado e transformá-lo novamente em protagonista.
E não nos enganemos: o futebol de Paquetá nunca esteve em dúvida. Estamos a falar de um meia de altíssimo nível, capaz de jogar em diferentes funções, com leitura de jogo, intensidade, chegada à área e personalidade. Não à toa, Pep Guardiola já demonstrou interesse no jogador. Quando um dos maiores treinadores da história enxerga valor em ti, não é por acaso.
Do ponto de vista esportivo, o impacto é brutal. O Flamengo já era, com alguma folga, o melhor time das Américas em termos de elenco, profundidade e competitividade. Com Paquetá, esse domínio aumenta. Não é apenas mais uma peça; é um jogador que eleva o nível coletivo, que melhora quem está à sua volta e que oferece soluções em jogos grandes, especialmente na Libertadores, onde detalhes decidem tudo. Como vi uma vez um torcedor falando no aplicativo “X”, Lucas Paquetá é um Gerson melhorado. E acredito fielmente nesta colocação, pois acho Paquetá muito mais jogador do que o meia do Cruzeiro.
A discussão financeira também precisa ser tratada com honestidade. Sim, é uma contratação cara. Muito cara. Mas o Flamengo pode fazê-la. E pode porque planejou, vendeu bem, acumulou caixa e se comportou como clube grande durante anos. Os movimentos recentes mostram isso. Não é uma jogada irresponsável, muito pelo contrário, é consequência de boas gestões que transformaram o poder econômico em vantagem esportiva.
Existe ainda um fator simbólico que pesa muito. Trazer Paquetá de volta é um recado claro ao futebol Brasileiro e a toda a América: o Flamengo vem para tentar fazer a maior hegemonia da história, eles não estão satisfeitos, e talvez nunca estejam. Em um cenário em que jogadores sul-americanos costumam voltar apenas para “encerrar ciclos”, o rubro-negro traz um atleta de prateleira europeia para liderar o projeto esportivo. Isso muda a percepção do mercado e reposiciona o futebol brasileiro há um novo patamar.
No fim das contas, esta não é apenas uma grande contratação. É uma contratação histórica. Daquelas que marcam época, que redefinem padrões e que serão lembradas independentemente dos títulos. Se dentro de campo corresponder ao que sempre foi capaz de entregar, o Flamengo não só reforça o seu elenco, mas consolida de vez o seu lugar no topo do futebol das Américas. E como disse o próprio Lucas Paquetá em sua despedida ao West Ham: “Recusei ir para times rivais. Eu nunca pedi para ir embora, eu pedi para voltar para casa. Estou voltando para casa…”
A nação pediu, e o ídolo acatou. Seja bem-vindo a sua casa, Craque.







